Outono

Ferreira de Medeiros



I can´t take my mind off of you

Domingo, 19 de março de 2006

Talvez seja a forma como ela balança o corpo lentamente no ritmo da música, me dando a impressão de que a alma abandona o corpo e viaja por lugares desconhecidos. Talvez sejam seus negros olhos a fitar os meus ou, quem sabe, apenas a beleza de seu sorriso a colocar uma luz diferente sobre todas as coisas. Pode ser que seja a forma como seu corpo encaixa-se perfeitamente em meu abraço, ou mesmo a sua preocupação constante com a forma de seus cabelos, tão belos para mim.

Bom, talvez seja algo mais complexo do que sorrisos bonitos e corpos que se encaixam perfeitamente. Pode ser que seja uma fuga de minha realidade querer beber toda esta beleza que vejo em seu rosto, ou mesmo, o medo da solidão me fazendo querer acreditar que o balanço de seu corpo é realmente o mais belo e mais cadenciado de todos os corpos. Ou então apenas uma necessidade de dar vazão a este fluxo de amor que jorra de dentro de minha alma sem um destino certo, como um rio a procurar louca e desesperadamente por um mar onde pudesse desaguar.

Eu simplesmente não sei, mas qualquer que sejam os meus motivos, e mesmo que não sejam nobres as minhas razões, a única coisa que eu realmente sei é que eu não sou capaz de não lhe observar, de não manter meus olhos fixos em você, em cada coisa que você faça e em todas as coisas que me lembram você, como uma criança encantada diante do belo, como um adolescente receoso da grandiosidade do mundo e em dúvida quanto a sua própria grandiosidade.




O amor é outra coisa

Terça-feira, 14 de março de 2006

A sabedoria popular nos ensina que é brincando que se diz a verdade. E aí estão as charges, os desenhos animados e as comédias românticas nos provando que é muito mais fácil dizer a verdade em tom jocoso, a título de brincadeira, a ter que dizê-la seriamente, como quem defendesse uma tese. Até porque, a verdade existe, mas, não são todos que querem conhecê-la. Porém, o riso é perigoso, é preciso atenção para que em meio a excitação do momento não deixemos escapar a verdade que se desnuda a nossa frente.

Toda esta introdução acerca da verdade que se esconde em meio a risos e deboches serve para que eu possa reproduzir aqui um pequeno texto encontrado na net. É um texto que compara por negação sentimentos que supostamente o amor deveria suscitar em contraste com aquilo que realmente provoca tal fato. E no final de cada setença o arremate quase perfeito: O amor é outra coisa. Digo quase perfeito, porque, na verdade, a mensagem que realmente fica é que o amor é sempre outra coisa, pois, nunca encontaremos uma definição ideal.


"O amor não é algo que te faz sair do chão e te transporta para lugares que nunca vistes.
O nome disso é avião.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que te faz perder a respiração e a fala.
O nome disso é bronquite asmática.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que chega de repente e te transforma em refém.
Isto se chama seqüestrador.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que voa alto no céu e deixa sua marca por onde passa.
Isto se chama pombo com caganeira.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que tu podes prender ou botar pra fora de casa quando bem entender.
Isto se chama cachorro.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que lançou uma luz sobre ti, te levou pra ver estrelas e te trouxe de volta com algo dele dentro de ti.
Isso se chama alienígena.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que desapareceu e que, se encontrado, poderia mudar o que está diante de ti.
Isso se chama controle remoto de TV.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que dói por dentro e de repente te faz sentir um vazio.
Isso se chama diarréia.
O amor é outra coisa."


- Ah! O amor é sempre outra coisa.




Apenas um de nós

Quarta-feira, 08 de março de 2006

"E se Deus fosse um de nós?
Apenas um estranho no ônibus tentando voltar para casa ".

Joan Osborne canta em One of us uma visão de Deus mais humana do que divina. Como se a Deus fosse também possível ter nossas dúvidas e nossos medos.

Há muito tempo atrás, quando costumava-se escrever igreja com letras maiúsculas, por muito menos que isto, em tempos inquisitórios que não deixam saudades, atribuir a Deus características humanas seria um motivo para ser queimado em uma fogueira pelo menos três vezes.

Mas a música é bonita e a idéia interessante. Pensar que aquela pessoa em quem você esbarrou sem querer, e que ao tentar se desculpar recebera um sorriso reconciliador, poderia ser Deus é tão fascinante quanto improvável.

Dizem que Deus nos criou a sua imagem e perfeição, mas se observamos com cuidado, perceberemos que, na verdade, o homem está sempre recriando Deus à sua imagem e imperfeição. Assim como nos tempos da inquisição Deus era um ser cruel que exigia que os conspurcadores de sua fé ardessem em uma fogueira até a morte, atualmente poderemos encontrar, em algumas religiões, um Deus mais pacífico e reconciliador, capaz de perdoar os seus maiores erros, desde que, é claro, você se arrependa sinceramente de todos os seus pecados.

Na música de Joan Osbourne, Deus é uma pessoa comum, com medos e atribulações inerentes a todos nós, sem ninguém que lhe ligue ao fim de mais um dia cansativo, com exceção, é claro, do Papa que estará, talvez (quem é que pode saber?!) em Roma.

Na mesma linha da música de Joan, existe um seriado americano chamado Joan of Arcadia. Arcadia é a cidade onde Joan vive. Este seriado seria apenas mais um seriado americano sobre famílias americanas com exceção de um pequeno detalhe: Joan vê Deus. Joan pode conversar com Deus e, assim como na canção, Deus está entre nós.

Ela sempre conversa com Deus e ele sempre lhe pede para fazer alguma coisa que, invariavelmente, lhe trará alguma lição de vida. Deus tem várias formas, às vezes pode ser uma pequena garota, outras vezes um senhor ou mesmo uma distinta senhora. "Deus é tudo e todos, o tempo inteiro".

O mais interessante no seriado é que além desta visão de que Deus é uma pessoa entre nós e que escolheu Joan para ser uma espécie de sua protegida, fica sempre uma segunda leitura escondida nas entrelinhas; porque pode ser que Deus não seja apenas um de nós, então Joan é uma guria seriamente perturbada, diria esquizofrênica. Deixe-me explicar: Deus apenas aparece para Joan quando ela está sozinha e lhe diz coisas que somente ela e obviamente ele, Deus, poderiam saber; nunca algo que ela não pudesse saber. Ninguém nunca viu Joan conversar com Deus e ela nunca disse a ninguém que conversa com Deus (o que pode ser considerado um lampejo de lucidez ou mesmo um pouco de dúvida sobre o que se vê).

A pergunta que fica é a seguinte: Se Joan realmente pode ver Deus, o que aconteceria se isto se tornasse do conhecimento de todos? Talvez todos a adorassem como uma espécie de reencarnação do Messias e seguissem seus passos em busca da Salvação ou talvez todos a considerariam uma pessoa emocionalmente desequilibrada (ou simplesmente louca) e a internariam em uma casa de repouso (melhor dizendo, um hospício)?

O mais provável seria que todos a ignorassem e não lhe dessem muita atenção, lhe considerando uma espécie de "louca mansa". O que é ao mesmo tempo triste e desabonador, porque todos dizem acreditar na existência de Deus, mas, se alguém afirma tê-lo visto, logo dizem:

- Doido, não sabe o que diz.


One of us

If God had a name, what would it be?
Se Deus tivesse um nome, qual seria este nome?
And would you call it to his face, If you were faced with Him in all his glory?
E você o chamaria por este nome se você estivesse frente a frente com Ele em toda a sua glória?
What would you ask if you had just one question?
O que você lhe perguntaria se pudesse fazer apenas uma pergunta?

Yeah, yeah! God is great. Yeah, yeah, God is good.
Sim, sim! Deus é grande. Sim, sim! Deus é bom.
Yeah, yeah! Yeah, yeah, yeah!
Sim, sim! Sim, sim, sim!

What if God was one of us, just a slob like one of us?
E se Deus fosse um de nós, apenas um desajeitado como um de nós?
Just a stranger on a bus trying to make His way home.
Somente um estranho no ônibus tentando voltar para casa.

If God had a face, what would it look like?
Se Deus tivesse um rosto, com o que isto pareceria?
And would you want to see if seeing meant that you would have to believe In things like heaven and in Jesus and the Saints and all the prophets?
E você quereria vê-lo, se vê-lo significasse que você teria que acreditar em coisas como o paraíso, Jesus e os santos e todos os profetas?

What if God was one of us, just a slob like one of us?
E se Deus fosse um de nós, apenas um desajeitado como um de nós?
Just a stranger on a bus trying to make His way home.
Somente um estranho no ônibus tentando voltar para casa.

Just trying to make his way home like a holy rolling stone.
Apenas tentando voltar para casa como um andarilho santo.
Back up to heaven all alone, just trying to make his way home.
Retornando ao Céu totalmente só, apenas tentando voltar para casa
Nobody calling on the phone, except for the Pope maybe in Rome.
Ninguém chamando ao telefone, com exceção do Papa, talvez, em Roma.




Carnaval

Terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

"Carnaval, carnaval, carnaval.
Eu fico triste quando chega o carnaval".

- Isto é Luís Melodia.

Interessante a forma como os Titâs prepararam a introdução de Nem cinco minutos guardados citando alguns versos da canção Quando o Carnaval chegou, que na verdade é de um cara chamado Ciro José.

Esta música retrata o meu sentimento em relação ao carnaval. Não que eu fique realmente triste, sou apenas indiferente a toda esta euforia com data marcada, esta obrigação de ser feliz.

O mais interessante é que estes versos, estando assim tão isolados do resto da música, permitem que qualquer um lhes dê o sentido que quiser. Acho que este é (ou deveria ser) o verdadeiro sentido do Carnaval.




Considerações

Sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

Havia nela um brilho diferente, diria especial. Algo mágico, mas, mágico, no sentido mais poético da palavra. Algo fantástico que não pudesse ser explicado racionalmente. Ela nunca poderia ser explicada racionalmente. Tudo bem, talvez até pudesse, mas ele não queria esta explicação, assim como um criança não deseja saber que aquela carta que o mágico lhe tirara de trás da orelha estivera sempre em poder do próprio mágico. É preciso ignorância para se sentir certas coisas.

Ele não queria explicações, não queria entender o que sentia. Ele queria apenas sentir. Não esperava que alguém viesse lhe explicar este encantamento produzido pelo sorriso dela, nem queria entender por que o fato de que quando os cabelos dela estavam presos em um coque improvisado, isto lhe emprestava uma beleza ainda maior do que antes. Seus olhos apenas a seguiam pelas ruas e acompanhavam o gingado de seu corpo que, lentamente, ora requebrava para a esquerda, ora para a direita, como a seguir o ritmo de uma música extremamente lenta e bela.

E o que dizer do toque daquelas mãos e do ar expirado por aqueles pulmões que ele procurava sorver quase que totalmente num total entorpecimento de seus neurônios que não lhe permitiam ver nada mais além do que os lábios dela, ligeiramente abertos e úmidos, esperando pelo seu toque? Como explicar isto tudo se, no momento em que ele sente o calor do corpo dela junto ao seu, tudo ao redor perde o significado e a significância? Como dar um nome a isto? Como mensurar? Como explicar? Ele não sabe, e, por não saber, apenas vive, apenas sente; e por viver e sentir, acredita.

Ele vive algo que não sabe nomear. Sente algo que não pode medir. Acredita em coisas que não pode explicar. Porém, ninguém duvida que seja feliz.




Fotografias

Sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

Fotografias são o mote constante e preferido dos poetas. Há algo de mágico nesta possibilidade de congelar o tempo em forma de imagem. Renato Russo já se utilizou do tema em Vamos fazer um filme assim como Chrissie Hynde vocalista do Pretenders em Back on the chaing gang em versos inicias tão parecidos que nos fica sempre a dúvida se uma canção não inspirou a outra.

Fotografias guardam muito mais do que apenas a imagem de um momento que se foi, junto com as imagem ficam também as lembranças de um tempo que passou e que não voltará. Então, no momento em que uma fotografia é reencontrada, tudo volta de uma só vez, com força; é como se as lembranças estivessem à espreita de um momento em que estivéssemos mais frágeis, mais suscetíveis a emoção para poderem retornar ao lugar que lhes pertencem por direito. E que momento de fragilidade pode ser maior do que quando, seja realmente procurando ou por puro acaso, reencontramos uma foto antiga? Pode ser um amor antigo, ou mesmo alguns amigos que já não vemos há muito tempo e tudo acontece, as lembranças entram sem bater à porta, lhe levando de volta àquele tempo que, talvez, nem seja tão bom quanto o atual, mas que devido a certeza de sabermos que nunca voltará nos envolva em uma teia de nostalgia mesclada a uma sensação de tristeza discreta.

Nickelback na canção Photograph nos mostra uma imagem menos romântica, porém não menos bonita das lembranças que uma simples fotografia pode nos trazer. Em um momento você está em seu quarto pocurando por uma foto antiga de algum amigo e no momento seguinte você é transportado de volta ao passado: O velho fliperama, a primeira namorada, as besteiras do tempo de escola e os sonhos adolescentes que começavam a tomar forma.


Look at this photograph
Olhe esta fotografia
Every time I do it makes me laugh
Eu rio toda vez que a vejo
How did our eyes get so red?
Como foi que nossos olhos ficaram tão vermelhos?
And what the hell is on Joey´s head?
E que inferno é isto na cabeça de Joey?

And this is where I grew up
Aqui foi onde eu cresci
I think the present owner fixed it up
Acho que o dono atual mandou reformar
I never knew we ever went without
Eu nunca soube que perderíamos isto
The second floor is hard for sneaking out
Pelo segundo andar é mais difícil de fugir

And this is where I went to school
Aqui foi onde eu estudei
Most of the time had better things to do
A maior parte do tempo eu tinha coisas melhores a fazer
Criminal record says I broke in twice
Minha ficha criminal diz que eu a invadi duas vezes
I must´ve done it half a dozen times
Mas, eu devo ter feito isto seis vezes

I wonder if it´s too late
Eu me pergunto se é tarde demais
Should I go back and try to graduate
Se eu deveria voltar e tentar me formar
Life´s better now than it was back then
A vida, agora, é melhor do que antes
If I was them, I wouldn´t let me in
Mas se eu estivesse lá, eu não me aceitaria

Oh! God I...
Oh! Deus. Eu...

Every memory of looking out the back door
Todas as lembranças à espreita na porta dos fundos
I had the photo album spread out on my bedroom floor
Eu deixei o álbum de fotos espalhado pelo chão do meu quarto
It´s hard to say. It´s time to say it. Goodbye, Goodbye
Isto é difícil de dizer. É tempo de dizer isto. Adeus, adeus

Every memory of walking out the front door
Todas as lembranças entrando pela porta da frente
I found the photo of the friend that I was looking for
Eu encontrei a foto de um amigo que eu estava procurando
It´s hard to say. It´s time to say it. Goodbye, Goodbye
Isto é difícil de dizer. É tempo de dizer isto. Adeus, adeus

Remember the old arcade
Me lembro do velho fliperama
Blew every dollar that we ever made
Onde gastávamos todo dinheiro que ganhávamos
The cops hated us hanging out
Os policiais odiavam nos ver por lá
They say somebody went and burned it down
Disseram que alguém o incendiou

We used to listen to the radio
Nós costumávamos ouvir o rádio
And sing along with every song we´d know
E cantávamos juntos todas as canções que conhecíamos
We said someday we´d find out how it feels
E dizíamos que um dia descobriríamos qual é a sensação
To sing to more than just the steering wheel
De cantar para algo mais além do volante do carro

Kim´s the first girl I kissed
Kim foi a primeira garota que eu beijei
I was so nervous that I nearly missed
Eu estava tão nervoso que eu quase errei
She´s had a couple of kids since then
Ela tem um casal de filhos agora
I haven´t seen her since God knows when
E só Deus sabe há quanto tempo eu não a vejo

Oh! God I...
Oh! Deus. Eu...

I miss that town
Eu sinto falta desta cidade
I miss their faces
Eu sinto falta destes rostos
You can´t erase
Você não pode apagar isto
You can´t replace it
Você não pode substituir isto
I miss it now
Eu sinto falta disto agora
I can´t believe it
Eu não consigo acreditar nisto
So hard to stay
Tão difícil ficar
Too hard to leave it
Muito difícil partir

If I could relive those days
Se eu pudesse reviver aqueles dias
I know the one thing that would never change
Eu sei qual seria a única coisa que eu nunca mudaria

Look at this photograph
Olhe para esta fotografia
Every time I do it makes me laugh
Eu rio toda vez que a vejo
Every time I do it makes me
Toda vez que a vejo eu...




Soneto

Domingo, 12 de fevereiro de 2006

Tanto de meu estado me acho incerto,
Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
sem causa, juntamente choro e rio,
O mundo todo abarco e nada aperto.

É tudo quanto sinto, um desconcerto,
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio,
Agora desvario, agora acerto.

Estando em terra, chego ao Céu voando,
Numa hora acho mil anos, e é de jeito
Que em mil anos não posso achar uma hora.

Se me pergunta alguém porque assim ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
que só porque vos vi, minha Senhora.




Dez coisas que eu odeio em você

Terça-feira, 07 de fevereiro de 2006

Dizem que a razão que pode nos levar a odiar alguma outra pessoa é o desejo de se querer ser igual a ela e não poder sê-lo. Vemos no outro tudo aquilo que gostaríamos de ter e não temos, tudo aquilo que gostaríamos de ser e não somos. E por não termos, por não sermos, passamos a desfazer, a querer mal. Ajimos como a raposa na fábula das uvas, que chega a conclusão de que as uvas são verdes, apenas porque não consegue alcançá-las. Mas, mesmo desdenhando das uvas, ela, a raposa, bem que gostaria de poder provar o gosto daquelas uvas de aparência tão agradáveis.

Esta relação amor/ódio fica bem explícita no filme Dez coisas que eu odeio em você. Neste filme, num determinado momento, uma menina recita um poema cujo título dá nome ao filme, e o faz na sala de aula, na presença do garoto de quem ela gosta. Apesar de gostar muito do rapaz, ela tem lá os seus motivos para acreditar que ele não goste dela, então, por causa disto, desta certeza de saber que não pode ser, que nunca será como ela quer, ela tenta acreditar que aquilo não é suficientemente bom para ela. Olha para as uvas que estão longe de seu alcance e diz:
- Estão verdes.


"I hate the way you talk to me and the way you cut your hair.
I hate the way you drive my car. I hate it when you stare.
I hate your big dumb combat boots and the way you read my mind.
I hate you so much it makes me sick. It even makes me rhyme.

I hate it...
I hate the way you're always right. I hate it when you lie.
I hate it when you make me laugh; Even worse when you make me cry.
I hate it when you're not around and the fact that you didn't call.
But mostly I hate the way I don't hate you
Not even close, not even a little bit. Not even at all".


"Eu odeio o modo como você fala e o jeito que você corta o seu cabelo.
Eu odeio o jeito que você dirige meu carro. Eu odeio quando você me encara.
Eu odeio suas brigas infantis e como você lê minha mente.
Eu lhe odeio tanto que isto me deixa doente, mesmo quando eu consigo rimar.

Eu odeio...
Eu odeio quando você está sempre certo. Eu odeio quando você mente.
Eu odeio quando você me faz sorrir. Odeio muito mais quando você me faz chorar.
Eu odeio quando você não está por perto e o fato de você não me ligar.
Mas eu odeio muito mais a forma como eu não lhe odeio
Nem um pouco, nem mesmo um pouquinho. Não totalmente".




About myself (again)

Domingo, 05 de fevereiro de 2006

desenho.jpg Não sei bordar, não sei costurar e acho tricô um lance muito complicado. Gosto de desenhos, mas o máximo que faço são homens de palito. Adoro dançar, apesar de não ser um grande dançarino. Toco violão sempre que é possível e canto a qualquer momento, às vezes a plenos pulmões. Gosto de me ver em fotografias. Leio compulsivamente.

Já vivi muito tempo sem os auxílios da moderna tecnologia, mas confesso que é impossível imaginar a vida atualmente sem tais artifícios. Nasci no último dia do signo de Escorpião, a apenas algumas horas do inicio de Sagitário e, dessa maneira, a minha personalidade se mescla com as características destes dois signos da seguinte forma: os defeitos ficam por contas de escorpião e as qualidades (!) por conta de sagitário. Gosto de gente, de animais e plantas, mas nem sempre necessariamente nesta ordem. Já fui careca, já cortei o cabelo "rec-chic" (será que é assim que escreve?). já usei cabelo no estilo "black power". Já usei cavanhaque, já usei bigode. Hoje mantenho a cara limpa e os cabelos extremamente curtos.

"Críticas não me abalam, elogios não me iludem. Sou o que sou e não o que os outros dizem". Se pisar no meu calo eu grito, e eu sei gritar bem alto. Já fui magro, mas ainda não sou gordo apesar de meus quase cem quilos mal distribuídos por aproximadamente dois metros de altura. Meus cabelos estão caindo, mas isto não é o fim do mundo.

Gosto de comer, mas procuro não comer demais. Conselhos: nunca peço, às vezes dou. Dinheiro: ganhar para viver, ao invés de viver para ganhar. Amo (?), mas não incondicionalmente. Gosto de conversar com as pessoas de quem eu gosto. Sou brasileiro, mas algumas vezes eu simplesmente desisto. A vida não é bela, eu sei, mas também sei que existe um monte de beleza escondida por aí, basta procurar com cuidado. Gosto de dar e de receber, mas, em se tratando de dar e receber, sempre existirá uma desarmonia algébrica.

Às vezes mordo, às vezes beijo carinhosamente.


Post Scriptum: Este foi, teoricamente, o primeiro post deste blog, mas, por uma destas razões que ninguém explica, ele simplesmente sumiu do blog. Como agora, finalmente, resolvi mudar o template deste blog, decidi republicá-lo.

Em tempo: Tanto o desenho deste post, quanto a árvore no template são de Maria Elisabeth. Obrigado mais uma vez.





A Bela e a Fera

Quarta-feira, 01 de fevereiro de 2006

- Não entendo, ela disse, estava exaltada e quase que com raiva continuou: eu simplesmente não entendo como é que você não consegue perceber toda esta beleza. Todas estas pequenas coisas banhadas por sorrisos e sensações. Por que é que você não consegue ver tudo o que está a sua volta? Me explica, me explica porque eu não entendo.

As últimas frases foram quase que uma súplica, um desejo, um pedido desesperado de que ele concordasse com ela, que dissesse que entendia, que via toda aquela beleza e que também se sentia banhado por sorrisos e sensações. Porém, com grande seriedade, lhe respondeu:

- Eu entendo tudo o que você diz, comprendo seu ponto de vista, mas você precisa compreender que o que é bom para você, talvez não seja bom para os outros, que o que você vê não é exatamente aquilo que os outros vêem. Toda esta beleza que você diz existir, todos estes sorrisos e sensações não estão à sua volta, estão em seu olhar. Você vê beleza no mundo, não porque o mundo é bonito e sim porque existe beleza dentro de você. Toda esta beleza à sua volta só existe porque você faz parte dela. O mundo ao seu redor é como um grande espelho a lhe refletir de volta tudo aquilo que você é...

Sorriu tristemente e continuou:

- Eu nunca poderei ver o mundo da forma como você vê porque meus olhos já perderam a beleza, tornaram-se cansados, amargos e amargurados. E a amargura é como a ferrugem no metal, uma demão de tinta pode disfarçá-la, quem olhar achará que tudo está bem, que o metal continua bonito, mas por baixo da pintura a ferrugem penetra cada vez mais, destruindo, enferrujando, enfraquecendo, minando forças e esperanças.

(...)

- Então você vai embora?

- Sim, vou-me embora...

- Mesmo?

- Mesmo.

- Então, tchau...

- Tchau, então...

- Tchau...

- Tchau...

(...)